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Tire algumas dúvidas sobre a nova Lei Seca no trânsito

January 4th, 2009 pdc No comments

O jornal Zero Hora, de Porto Alegre, está apresentando em sua edição desta segunda-feira (23) um interessante serviço público. Em meio a três páginas de cobertura sobre a nova lei que proíbe que pessoas que beberam álcool dirijam – e com destaque às 45 prisões ocorridas no RS durante o fim-de-semana – vêm 12 perguntas formuladas por integrantes da equipe do jornal e por leitores – e respondidas por especialistas.

A matéria contém também uma informação objetiva: acaba a história de apresentar a negativa de fazer o teste do bafômetro, arguindo o direito de não fazer prova contra si próprio. Tal porque a nova legislação é explícita quanto às penalidades para quem se negar a isso. O entendimento é que a regra não vale para o trânsito. Dirigir não seria um direito, mas uma permissão do poder público, concedida apenas a quem se habilita e segue determinadas regras.

Leia as questões formuladas pela redação do jornal e as respostas

Pergunta – Quanto de álcool posso beber antes de dirigir?

Resposta – A lei assume tolerância zero com o álcool. Antes, um motorista podia ter até 0,6 grama de álcool por litro de sangue (dois copos de cerveja). Agora, mais do que zero de álcool é infração gravíssima, com multa de R$ 955 e suspensão do direito de dirigir por um ano. No princípio, enquanto se aguardam regulamentações, haverá tolerância até 0,2 grama de álcool.

Pergunta – Outros países têm o mesmo rigor em relação ao consumo de álcool por motoristas?

Resposta – Há uma série de países que aplicam o mesmo rigor.

Pergunta – Como o índice de álcool vai ser verificado?

Resposta – Fiscais de trânsito e agentes das polícias rodoviárias poderão submeter os motoristas a testes com o bafômetro. A autoridade de trânsito também poderá levar o motorista suspeito para um exame clínico, se não houver um bafômetro.

Pergunta – O teste com o bafômetro é obrigatório?

Resposta – O motorista pode ser recusar, mas, nesse caso, sofrerá a mesma penalidade destinada à pessoa comprovadamente alcoolizada: infração gravíssima, multa de R$ 955 e suspensão do direito de dirigir por um ano. Essa punição também será aplicada se o condutor se negar a outros exames para atestar a embriaguez.

Pergunta – O que acontecerá se eu me recusar a fazer o exame e depois entrar com um recurso, alegando que não estava bêbado?

Resposta – Prevendo que motoristas embriagados possam recorrer a essa artimanha para escapar da punição, a lei prevê que o testemunho do agente de trânsito ou policial rodoviário tenha força de prova diante do juiz.

Pergunta – Posso me recusar a fazer o teste com o bafômetro sob a justificativa de que, pela legislação brasileira, ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo?

Resposta – Esse entendimento amparava, até aqui, os motoristas que não queriam fazer o exame com o bafômetro. Mas a nova legislação é explícita quanto às penalidades para quem se negar a isso. O entendimento é que a regra não vale para o trânsito. Dirigir não seria um direito, mas uma permissão do poder público, concedida apenas a quem se habilita e segue determinadas regras.

Leia as questões formuladas por leitores do jornal e as respostas

Pergunta – Se tomar uma ou duas taças de vinho no almoço de domingo, quando poderei dirigir? Quantas horas são necessárias para eliminar por completo o álcool? (Hamilton Kleinowski, Porto Alegre).

Resposta – O tempo de permanência do álcool no organismo varia de uma pessoa para outra, conforme idade, peso e condições de saúde. O certo é que não basta esperar algum tempo depois da bebida para pegar a estrada. Mesmo que você beba dois copos de chope, o álcool pode ser detectável durante um período que vai de três a seis horas. No caso de uma bebedeira, pode estar sem condições mesmo na manhã seguinte, porque a presença do álcool se mantém por períodos prolongados.

Pergunta – Nunca mais poderei sair com minha esposa para um jantar romântico regado a uma taça de vinho. Por que neste país sempre os bons pagam pelos mal educados? (Roberto Kraemer Derosa, Porto Alegre).

Resposta – A alternativa é tomar um táxi ou o transporte coletivo na hora de voltar para casa ou então entregar a direção a quem não bebeu. O entendimento da lei é que, não importa a quantidade de álcool consumida, o motorista vai colocar a si e a outras pessoas em risco caso tome o volante. Mesmo quando são consumidas quantidades pequenas e não há sinais exteriores de embriaguez, as chances de a pessoa se envolver em um acidente aumentam.

Pergunta – Tenho o costume de beber no almoço uma taça de vinho tinto seco. Se logo após necessitar dirigir meu automóvel, for barrado por autoridade de trânsito e ficar comprovado que ingeri essa pequena quantidade de álcool, posso sofrer punição? (Hugo Ernesto Dienstbach, Dois Irmãos – RS).

Resposta – Sim. Você vai receber uma multa de R$ 955 e perde o direito de dirigir por um ano, porque a lei proíbe dirigir com qualquer quantidade de álcool no organismo. Quando uma pessoa tem álcool no sangue, mesmo que não apresente sinais de embriaguez, ela está mais sujeita a sofrer acidentes. Uma taça de vinho significa de 0,2 a 0,3 grama de álcool por litro de sangue, o que configura infração mesmo com a margem de tolerância que vai valer nos primeiros tempos da lei.

Pergunta – O que será penalizado é a conseqüência, ou seja, bebeu, bateu e estava alcoolizado, vai se complicar. Tomou duas taças de vinho e está dirigindo tranqüilamente, a autoridade aborda e pede documento, será liberado. É Lei Seca apenas para quem já cometeu o ilícito? (Ary Martini, Marau).

Resposta – Não é esse o espírito da lei. Não há necessidade de cometer outra infração ou delito para receber punições, porque dirigir com álcool no organismo já é uma infração, e gravíssima.

Perguntas – Caso uma pessoa coma uma sobremesa que contenha vinho, como sagu, ou tenha tomado algum tipo de medicamento com álcool, poderá ser constatada alguma dosagem de álcool nos exames de bafômetro? Se der positivo, essa pessoa poderá ser presa? (Rafael Martins Duarte Duarte, Pelotas).

Respostas – Qualquer alimento ou medicamento que contenha álcool poderá ser identificado pelo bafômetro. Por causa disso, a nova legislação determina a necessidade de disciplinar margens de tolerância para esses casos específicos. Isso ainda vai ser feito. Para o período de indefinição, vale um decreto que permite aos motoristas, por enquanto, apresentar até 0,2 g de álcool por litro de sangue. Isso é o equivalente a um cálice de vinho para uma pessoa de 80 quilos.

Pergunta – O que diz o texto da lei para o consumo de bebidas na zona urbana? (Rogério Costa de Souza, Porto Alegre).

Resposta – Com a nova medida, os estabelecimentos comerciais localizados nos trechos urbanos das rodovias federais voltaram a ter permissão para vender bebidas alcóolicas. Mas, caso o motorista seja flagrado com álcool no organismo, não escapará do rigor da lei.

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Lei seca

June 29th, 2008 pdc No comments
27/06/2008 14:49 – Gláucia Civa direto do Baguete (www.baguete.com.br)
A nova Lei 11.705, que altera o Código de Trânsito Brasileiro e institui tolerância zero à dobradinha álcool/direção, encheu os motoristas de dúvidas.

Antes, quem apresentasse até seis decigramas de álcool por litro de sangue (o equivalente a dois copos de cerveja) passava no teste do bafômetro. Agora, o sujeito que for pego com 0,3 miligramas por litro leva, além de multa de R$ 955, uma punição que varia de perda da carteira de motorista por 12 meses à cadeia.

O Baguete entrou em contato com a coordenadora do Departamento de Medicina da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Júlia Grevi, para esclarecer algumas das questões mais freqüentes sobre o tema. Confira as respostas antes de pegar o volante no fim de semana.

Quanto tempo o álcool fica no sangue após o consumo?
Júlia Grevi -
Para um copo de cerveja, uma taça de vinho, o tempo de eliminação pelo organismo fica em cerca de seis horas. Pode ser que seja metabolizado antes, dependendo da velocidade com que a pessoa ingeriu a bebida, se acompanhou com comida, entre outros fatores. Já uma dose de uísque pode ficar por até 24 horas circulando pelo corpo do motorista.

Uma sobremesa como sagu, que leva álcool na composição, pode ser detectada pelo bafômetro?
Júlia Grevi –
Sim, pela atual lei, mas só se o motorista tiver comido grande quantidade da sobremesa. Por exemplo: em um bombom de licor, seria necessário ter pelo menos uma dose da bebida – em torno de 10 a 15 ml – para ser significativo. O doce geralmente tem bem menos do que isso, além de ir para o organismo misturado com o chocolate, o que irá retardar a metabolização.

E ainda assim sempre há a lei do bom senso: se o teor de álcool for realmente muito baixo, a pessoa não apresentará sinais de embriaguez. É uma questão de fiscalização, mas não creio que em uma blitz um motorista que tenha ingerido somente sagu ou um bombom de licor será pego pelo bafômetro.

E medicamentos à base de álcool, como os utilizados na homeopatia?
Júlia Grevi –
Também são detectados. Porém, estes remédios são usualmente pingados na boca do paciente. É o mesmo caso dos enxaguantes bucais.

Nestes casos, o recomendável é esperar uns dez minutos, que serão suficientes para que o hálito se disperse, já que o bafômetro analisa ar, e o ar que passar pela boca conterá álcool. Um bochecho com água, para remover resquícios do remédio ou do enxaguante, também ajuda, já que a idéia da nova lei é medir o teor alcoólico presente no sangue do motorista, não em sua boca.

Comparado a outras drogas, o álcool é mais prejudicial na direção?
Júlia Grevi –
Todas as drogas de ação no sistema nervoso central são perigosas para o ato de dirigir. No caso das ilícitas, só o fato de consumi-las já será um crime.

Já com relação a medicamentos como psicotrópicos, indutores de sono e outros, o correto é fazer uma avaliação médica para saber quais as reações do remédio sobre o paciente, se afeta sua coordenação motora e reflexos, etc.

Mas tratando particularmente de trânsito, acredito que o álcool seja ainda a droga mais perigosa, pois muito mais gente ingere bebidas, visto que são vendidas em qualquer lugar, legal e abertamente para maiores de idade.

Bafômetro não está só
A Abramet também informa que o bafômetro não é o único método que pode ser utilizado para medir o grau de embriaguez de uma pessoa. Além dele, também podem ser usados o exame de sangue e o exame clínico, que indicará sinais como falta de coordenação motora, olhos vermelhos, entre outros.

Porém, para exigir testes além do bafômetro, o policial terá de apresentar evidências contra o motorista. Testemunhas atestando sua embriaguez também valem.

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